Operação Lava Jato abre as portas para Blockchain e Moedas Digitais no Brasil

Em 7 de abril, o 35º presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva tornou-se o primeiro presidente do país a ser preso, condenado por corrupção na Operação Lava Jato.

A prisão de Lula ocorreu paralelamente à polícia federal do Rio de Janeiro descobrir um esquema de lavagem de dinheiro baseado em Bitcoin, o primeiro em seu tipo. No qual autoridades transformaram em bitcoins o orçamento que seria destinado para alimentação de prisões estatais no valor de 22,4 milhões de dólares.

Luíz Henrique Casemiro, superintendente da Secretaria da Receita Federal no Rio, disse: “esta foi a primeira vez que as criptomoedas foram usadas em tal operação para evitar o rastreamento do Banco Central e da Receita Federal”.

A Operação Lava Jato começou como uma investigação sobre lavagem de dinheiro quatro anos atrás e rapidamente transformou-se em algo muito maior, descobrindo uma vasta e complexa rede de extorsões políticas e corporativas envolvendo os chefes de estados do Brasil, Peru, Guatemala, Equador, México, Argentina, Venezuela, Colômbia e Panamá. É o maior escândalo de corrupção na história global que expôs a corrupção sistêmica na política brasileira, o suficiente para derrubar o governo da 36ª Presidente Dilma Rousseff e deixar a administração do 37º Presidente Michel Temer à beira de um colapso.

Resultado

Enquanto o país está se preparando para as eleições deste ano, e para trazer transparência ao processo democrático, marcado por diversas denúncias de fraude em eleições anteriores, o governo brasileiro está apoiando uma solução inovadora baseada na Blockchain do Ethereum com um aplicativo que permitirá que as pessoas se registrem no sistema via seus smartphones online, votem, coloquem suas assinaturas em petições populares que eles apoiem ​​ou enviem uma petição. O sistema permitirá que qualquer pessoa visualize o número verdadeiro de assinaturas para uma determinada petição, ou contagem de votos, garantindo que não haja nenhuma perda ou falsificação.

Outra iniciativa do governo em Blockchain é uma plataforma para registro de propriedade – para o quinto maior país do mundo ocupando metade do território da América do Sul – para proteger milhões de árvores na floresta tropical da Amazônia. O objetivo da iniciativa é parar o desmatamento ilícito da maior reserva natural do mundo com a maior biodiversidade. A cidade de Pelotas, no sul do país, está entre as primeiras do Brasil a experimentar um sistema de titulação de terras totalmente computadorizado e baseado em blockchain.

Alerta

Vários grandes bancos brasileiros que foram apanhados nas miras da investigação da Operação Lava Jato por lavagem de dinheiro e evasão fiscal, começaram a estudar a implementação da tecnologia Blockchain em seus bancos. A lista inclui o Banco Santander, SA, que, por um lado, devido à falta de regulamentação de criptomoedas, encerrou ou se recusou a abrir algumas contas para corretores de criptomoedas, mas por outro lado lançou recentemente o primeiro serviço de pagamento transfronteiriço baseado em Blockchain. para os consumidores finais no Brasil.

O presidente do Banco Central do Brasil, Ilan Goldfajn, explicou que as criptomoedas não são “moeda eletrônica” sob a lei brasileira, pois “As criptomoedas não possuem a estabilidade necessária para ser uma troca segura e legítima de valor”. Ele prefere os considerar “ativos em cripto” como o resto do G20.

Goldfajn atua como Diretor do Banco de Compensações Internacionais, que em um relatório estudou algumas das possíveis implicações das moedas digitais emitidas pelo banco central (CBDC). Ele indicou que o Banco Central e a Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) já realizaram vários testes em relação ao uso da tecnologia Blockchain.

Até agora, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) quer provar que documentar o financiamento do governo através de um livro público visível baseado no blockchain do Ethereum será uma maneira eficiente para garantir transparência, bem como impedir a fraude e corrupção. O BNDES está tokenizando o real para esses fins. O Brasil também está envolvido nos BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – numa iniciativa multinacional de criptomoeda liderada pelo Banco Central da Rússia que recentemente indicou que eventualmente poderia implantar uma plataforma baseada no Ethereum.

 

1 comentário

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *